sobre YAS GAGA, WE CAN!

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Não faz muito tempo não em que eu ouvi que meu feminismo de facebook era só pra arrumar briga. HAHAHA
Menos tempo ainda faz do dia que eu ouvi de um homem branco, classe media, hétero : na próxima vida eu quero ser mulher é tudo mais fácil pra vocês! HAHAHAHHA

O que essa segunda pessoa não sabe é que eu demorei duas décadas pra ver redação de Enem nos emponderar e fazer 7 milhões de pessoas pensarem sobre a violência diária que as mulheres sofrem. Eu demorei uma vida inteira pra ver uma marca de cerveja mudar a campanha INTEIRA em pleno carnaval em 2 dias e ainda pedir desculpas pelo vacilo! Minha mãe demorou CINCO DÉCADAS pra ver campanha contra abuso sexual no metro!
Depois de uma vida toda vendo filmes adolescentes sobre rivalidade feminina, foi só agora em que eu vi as minas se unindo em vez de virarem rivais!
Todo dia eu vejo meninas levantando a voz MESMO QUE SEJA NO FACEBOOK pra dizerem que são livres, são poderosas e homem nenhum vai por regra na vida delas!
Lembro que quando saiu a capa da SuperInteressante sobre estupro eu dei até uma choradinha de emoção, porque até então nunca tinha visto um veículo por isso em matéria de capa pra culpar o estuprador, e não a vitima como era o costume.

Foram milhares de reais gastos em revistas de moda, pra pela primeira vez na vida ver uma moça gorda na capa de uma das maiores revistas do meio no país!
Vejo as pessoas falando que cada dia aparecem piores noticias pra nós seres humanos, e principalmente nós mulheres. Mas será que isso não esta acontecendo porque finalmente estão dando atenção pros nossos problemas e não só negligenciando nossas violências, abusos e degradação? Finalmente estamos falando em GRANDE escala sobre termos sofrido assédios quando crianças, sobre o como da medo estar sozinha numa rua, sobre o como É FODA ser mulher!
Acredito que ainda tem uma gente podre no mundo, e também muitas pessoas desinformadas, mas acredito que a mudança ta rolando e ta rolando lindamente!
Acredito que as gerações das nossas filhas e netas vão fazer ainda mais barulho e vão conquistar e conseguir viver num mundo muito melhor!
Sim, eu fazer textão em blog e facebook faz diferença sim! Já vi muitas pessoas me falarem que fui eu que abri os olhos delas pros problemas que vivemos de desigualdade. E assim como essas pessoas, foi por meio das redes sociais que eu comecei a mudar também!
Somos a geração do smartphone, somos a geração do instantâneo, e também somos a geração da informação, e informação é poder e mudança!

A todos que ficaram muito felizes com a noticia do tema da redação do Enem: YAS GAGA, WE CAN!!!!!

Sobre matar o Instagram

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OU vocês fecham o instagram ou cancelam a minha internet, porque não ta fácil viver assim não.
E se pra você ta de boa, você: a) não segue lindas b) tem uma auto estima boa. Eu sigo lindas e eu não tenho auto estima boa, então…
E eu to fazendo tudo errado sabe? To seguindo lindas do mundo (porque não bastava as da minha cidade, agora tenho que conviver com lindas world wide!) e to me comparando com cada uma delas…e vocês já devem imaginar a merda.
São horas deslizando a tela pra cima com o dedão em silencio e ocasionalmente falando um: nossa…
E assim, eu entendo que seria mais fácil deletar o insta e falar: de boa, não preciso ver lindas nunca mais. Mas não ia adiantar de nada sabe? Porque eu entendo que as lindas não tem culpa, a culpa é “minha”! Culpa de não gostar de mim mesma.
Foi tão fácil ao longo da vida gostar de pessoas idiotas e que não me mereciam, mas é tão difícil pensar: Pô, a San é maneira. Eu gosto dela.
Eu não gosto tanto assim da San! Eu penso o tempo todo em como a San podia ter um nariz menor e falar menos. Em como a San podia ser mais inteligente, menos alta, menos magra, mais magra, mais nova, mais velha, menos loira, menos…San.
E pode parecer que não, mas ter uma auto estima ruim afeta TODA a nossa vida! Nossos relacionamentos,nosso humor diariamente, nosso animo pra fazer as coisas…
A  culpa é da sociedade né? Da publicidade consumista imbecil. Do photoshop very crazy, da Victoria’s Secret, do cabelo da Jennifer Aniston, do Instagram… A culpa não é necessariamente minha (nossa), mas nada disso vai deixar de existir pra eu me sentir melhor comigo mesma.
E eu to ligada, vocês vão vir aqui falar: Mas San, você é bonita! E olha migos, eu agradeço muito, mas eu gostaria mais se vocês chegassem em mim e falassem: mina já passei por isso, fazer crochê me ajudou! (exemplo meramente ilustrativo).
Porque eu honestamente, eu quero gostar de mim. Quero me sentir bem sendo a San que tem o nariz assim (leia-se grande) e fala pra caralho. E principalmente quero não me comparar com cada ser humaninho que passa em frente ao meu globo ocular!!!
Esse texto é meio que um ‘migos me ajudem, ta foda’. Ouvir que você é daora é fácil, o foda é acreditar!

Sobre virar a chata do role

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Descobri recentemente que eu virei a amiga chata.
A amiga que vê problema em tudo, que discorda bastante e não acha mais graça em várias piadas.
Eu virei a amiga que ficou TÃO chata, que as vezes não se contém e fica bem uns 20 minutos tentando explicar o porque aquilo ali ta errado.
Pra quase todo mundo é ser chata, pra mim é feminismo.
Todos os fucking dias eu escuto alguém me falar: ah mas pra você agora tudo é machismo…
E toda fucking vez eu respondo: mas é…e não é agora, sempre foi, eu só não sabia!
E quando eu digo que eu não sabia, é porque eu não sabia mesmo, e reproduzia machismo toda hora!
Eu era a menina mais ‘aceita’ pelos meninos, então eu me achava…um menino! Eu me via além das ‘mulheres’. Eu não era mulher. Eu odiava as mulheres! Eu podia apontar o dedo e chamar as mulheres de piranha e puta, e podia dizer que eram todas fúteis. Eu era menino né? Não.
Demorou pra eu entender que gostar de maquiagem e caipirinha de morango em vez de cerveja não é questão de gênero, e sim, de personalidade/gosto. O que te torna mulher é…exatamente, ser mulher!
E eu sou mulher. Também sou puta e piranha. Também sou fútil!
Eu faço parte do gênero que tem medo de sair de casa todo dia. E que se sente com raiva, triste e ameaçada toda vez que sai de casa sem um fone de ouvido. Eu faço parte do gênero que ganha menos, que acham que não é capaz! Nossa, se for ‘bonita’ (leia-se:estiver dentro dos padrões de beleza da sociedade, não que isso seja beleza mesmo), ai sim não é capaz mesmo! É burra! Se for modelo então, é um vegetal praticamente!
Eu faço parte do gênero que se gosta de sexo ou toma iniciativa é puta. E que se desentende com alguém do mesmo gênero é porque ‘mulher é um bicho ruim mesmo, não da pra ser amiga’.
Eu fui ensinada pra competir com as minhas amigas! E não pra conseguir um trampo melhor e ser uma melhor profissional, mas sim, pra chamar atenção dos meninos! Eu fui ensinada a me conter e me cuidar o tempo todo, pra assim, quem sabe, evitar um estupro.
É tanta coisa que da pra escrever 5 textos só pra explicar que, sim, sou mulher e sou fodida!
Mas dai eu comecei ler umas coisas, sobre igualdade e sororidade. Sobre emponderamento e desconstrução… E CARA, foi quase como se tivessem aberto minha cabeça com um machado e deixando meu cérebro respirar.
Eu, você e todo mundo, moramos em um mundo MACHISTA, onde homens e mulheres reproduzem MACHISMO, o tempo INTEIRINHO! Só que agora, a gente entende, a gente fala sobre isso, a gente vê que ta errado, e a gente vai ser CHATA PRA CARALHO!
Machismo não passará!

Pras migas/os que ainda não manjam muito do assunto e querem saber mais, eu indico um texto e um site aqui! Só clicar 🙂

Sobre lerigou!

Se perder a memória é considerado uma doença, lembrar de absolutamente fucking tudo, também deveria!
Eu falo MUITO, e sou a maior contadora de histórias que eu conheço.
Outro dia me perguntaram: Porque você tem essa necessidade de contar todas essas histórias até o fim?
Porque…eu lembro delas inteirinhas, e com exatidão! E isso se acumula tanto dentro de mim que as vezes eu tenho muita vontade de por pra fora!

Quando eu era criança, minha brincadeira favorita era inventar historia!
Eu criava uma trama, inventava os personagens, e a partir daí eu e meus amiguinhos passávamos o dia vivendo naquele mundo imaginário que eu criava. Minha mente as vezes borbulha de um jeito que não dá pra segurar a língua, e é por isso que eu não calo a boca nunca! ahahaha

O problema amiguinhos, é que tanta história, tanta memória, e tanta lembrança, me faz mais mal do que bem!
Por conta de me lembrar das coisas ruins que rolaram eu vou desenvolvendo traumas, desenvolvendo medo, me impedindo de dar novas chances pra vida…

Não adianta lembrar de tudo. O que passou, passou. Foi a minha vida um dia, mas agora não é mais!
Foi muito difícil pra eu finalmente aceitar que, o que aconteceu comigo no passado não tem a menor influencia no meu futuro! Apenas se eu deixar que tenha por me prender nesses medos entende?
As vezes a gente precisa deixar pra traz, perdoar mesmo, esquecer!
Como diz meu moço: esquecer as vezes faz bem!

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2015, lerigou!

Sobre ser a Bipolar Queen de novo!

Num geral, eu sempre choro quando escrevo, o que pode acontecer com frequência ou não. (Depende da qualidade da minha vida amorosa).
Quem me seguia no meu falecido tumblr circa 2010/2011 costumava ler bastante meus textos sobre relações que nunca davam certo, e sobre eu me sentir bem merda o tempo todo.
Atualmente as relações vingaram! O que tinha que ser, rolou, e o que não tinha, já foi tarde.
Mas me sentir merda acontece vez ou outra.
É normal né? É…
Mais ou menos.
É com muita coragem que eu volto a abrir meu coração em relação há um assunto tão delicado pra mim, e ao mesmo tempo tão presente o tempo todo, em muitas situações.
Durante 5 anos fiz terapia. Indicação do meu psiquiatra, com quem eu tratava uma coisinha muito desconfortável chamada transtorno bipolar.
Eu não faço mais a menor questão de sentar e explicar o que é, como rola e porque seus ataques de tpm/mau humor não podem ser comparados com o que rola comigo anualmente.
Eu também não curto muito isso de me fazer de coitada, porque eu não sou. Eu sofro minha cota, e cada um sofre a sua, e o sofrimento e ninguém é maior ou menor do que do outro. Essa competição de quem é mais triste sempre foi…bem triste pra mim, pra te falar a verdade.
Meu negocio é ser agressiva. Sou leão, com ascendência em leão, demonia mesmo!
Sou independente pra caralho, sou faca na bota com orgulho, e não tem essa de menina deprimidinha comigo não.
Minhas depressões são tristes, mas são com muita raiva também. Raiva de que já é outra história.
Se eu fico triste, meu primeiro instinto é ser ignorante. Depois de anos de analise pessoal e profissional o diagnostico é de que a gente sempre tenta machucar o mundo do mesmo jeito que está doendo em nós.
E dói… pra caramba.
Dói muito ver minha mãe sem saber o que fazer pra menina dela ser feliz. Dói saber que eu perdi o maior amor da minha vida, Raphael, porque deu o limite dele, e ninguém é obrigado. Dói ouvir de gente querida falando que é frescura, e vai passar, e não passa nunca…Dói não saber explicar. Dói, e é exaustivo, e é agoniante. E não tem muito o que fazer…
A pior parte é não ter vontade de fazer FUCKING nada. E dai você se sente inútil, e desiste das coisas, e ninguém entende direito, dai vocês brigam, e a briga te deixa triste, e você fala bosta, e magoa pessoas que você ama…e por ai vai.
Vou te falar que passa. Mas é um processo, as vezes longo, as vezes não, mas sempre bem cansativo.
No atual momento a loira de 1,75 que vos fala está se sentindo bem merda por todas as situações citadas acima.
Vai passar? Vai né.
Vai ser difícil? Olha, depois de todos esses anos eu sei que as coisas melhoram, e a gente aprende muito, mas não é uma delicia de aprendizado não.
Porque eu to falando tudo isso? Porque…eu sinto necessidade de explicar o porque de as vezes eu ser uma puta, e eu sinto necessidade de desabafar, e de buscar acolhimento e compreensão. E talvez, speak out seja uma forma de superar essas fases melhor, já que guardar pra mim mesma não está rolando… hahaha
Apesar da imagem de menina equilibrada e atlética que muita gente tem de mim, eu tenho uma par de problema, e as vezes me humanizar traz ajuda né?
Dói, cansa, vai passar, e eu sempre aprendo e é isso. Vou focar nesse final.

Sobre mudanças

"you can look at the past BUT DO NOT STARE!!!"

“you can look at the past BUT DO NOT STARE!!!”

Cinco anos atrás, eu comecei a fazer terapia. Toda semana, uma vez por semana, sessão de 1 hora.
Cinco anos atrás eu estava no colegial, toda terça ia pra Augusta, pintava o cabelo de loiro claro e tinha um formspring que bombava de mensagens pouco gentis de outras meninas.
Era incansavelmente triste, e tinha uma euforia incansável!
Mas o que mais tenho lembrança, era de ser extremamente confusa sobre mim mesma.
Terminei o colegial e não quis fazer faculdade. Passei uns meses trabalhando como assistente de shows internacionais, conhecendo bandas, fazendo amizades, seguindo tours, saindo com as minhas amigas e tentando me encontrar.
Não me arrependo de nada. Conheci algumas das minhas melhores amigas em quartos de hotel. E  foi em tour que conheci minhas qualidades e fraquezas e me tornei uma pessoa mais forte.
Foi ai que eu aprendi o valor real do nosso próprio dinheiro, e o valor real de amizades de verdade e pessoas com caráter!
E foi vivendo assim que eu aprendi a não ter vergonha do que eu sou, do que eu quero, e ter plena consciência e responsabilidade na forma como eu ajo.
Tomei no cú um milhão de vezes. Gastando mais do que eu podia, andando com pessoas que não tinham os mesmos valores que os meus, entrando em roubadas, e ficando ansiosa por nada. Aprendi a preciosidade que é ter equilíbrio mental e emocional.
De lá pra cá tive depressões ferradas, e aprendi a reconhecer minhas emoções e o que me faz e o que não faz bem.
Mas teve muita coisa boa também! Teve muito amor, aprendizado e sorte!
Em todo esse tempo, tive uma família, amigos e uma terapeuta incríveis que me deram a base necessária pra errar, aprender e ser quem eu sou hoje.
Acho engraçado lembrar que eu ficava sempre de recuperação em ed.fisica, e hoje uma grande parte da minha vida é ligada em fazer atividades físicas! Acho engraçado lembrar das meninas me ‘zuando’ porque eu teria que ficar no quarto dos meninos em Porto Seguro porque eu ‘não tinha’ amigas, e hoje saber que não tinha muitas mesmo, mas as poucas, estão comigo até hoje, e sei que sempre vão estar.
Essa talvez seria aquele tipo de carta que a gente quer escrever, e mandar pro passado, pro nosso eu mais sozinho, mais triste e menos realizado. Tudo ficou muito bem Samantinha!
Hoje o colegial é uma lembrança engraçada, parei de ir na Augusta com tanta frequência, parei de pintar o cabelo, e todo mundo que vem falar comigo é pra ser gentil!
Sou incansavelmente realizada, e tenho uma felicidade incansável!
Descobri o que quero fazer da vida (sem faculdade), encontrei amigos e amor de verdade na musica, e não paro de me conhecer.
Depois de cinco anos, minha terapia chegou ao fim, em lagrimas de emoção e felicidade, em abraços e uma gratidão eterna.
Depois de cinco anos, essa foi a primeira semana que não me encontrei com a Ana Luiza pra provocar risadas ou preocupações nela, e eu to tranquila, porque agora eu não sou mais confusa.
Cinco anos de jornada, e cinco anos de amor.
Cinco anos depois, aqui vai o meu obrigada.

Ela nunca soube disso, mas esse texto aqui é um oferecimento da hashtag que eu e meus amigos sempre usamos para nos referir a ela: esse foi porque somos #analulovers

ps: a foto bonita que ilustra esse texto mimimi é uma obra da talentosíssima Singh Bean, que tive o prazer de conhecer nesses roles de banda citados lá em cima! E injustamente com a humanidade, tudo o que ela faz é MUITO legal, então vale a pena ver 😉